Resposta curta: Depois do caso dos acórdãos inexistentes e das recomendações aprovadas pelo Conselho Superior da Magistratura em abril de 2026, declarar como se usou a IA passou a fazer parte do ofício. Este prompt faz duas coisas: verifica cada citação da peça contra o que está nos autos, e redige a menção de utilização — na medida exata do que foi feito.

Em fevereiro de 2026 um tribunal superior português apanhou seis acórdãos que não existiam, citados num recurso. Manteve a condenação, aplicou custas e participou o caso à Ordem. Dois meses depois o Conselho Superior da Magistratura aprovou recomendações sobre o uso de inteligência artificial na atividade judicial, com carácter auxiliar, controlo humano e dever de declarar. A resposta prática cabe em duas tarefas.

📋Passo a passo: Como verificar e declarar o uso de IA numa decisão

Siga este roteiro antes de pedir a peça à IA:

  1. Liste toda a jurisprudência, legislação e doutrina citada na peça, com a referência exata tal como aparece no texto.
  2. Confronte cada citação com a fonte. Uma referência que não se abre é uma referência que não se cita.
  3. Registe, para cada tarefa, o que foi feito com auxílio de ferramenta e o que foi feito por si.
  4. Redija a menção de utilização estritamente na medida do que aconteceu, sem generalizar num sentido nem no outro.
  5. Confirme os termos concretos nas recomendações aplicáveis. O prompt organiza; a formulação final é do magistrado.

🤖O Prompt Mestre (Copie e Adapte)

Este prompt gera a primeira versão completa da peça. Substitua os campos entre colchetes. Quanto mais específico o preenchimento, melhor a minuta:

💡 Como usar no Locus.IA: com a pasta do processo indexada no seu computador, você aponta os ficheiros em vez de colar — e a resposta já vem citando ficheiro e página; nos prompts que geram um documento do zero, você informa os dados do caso e o sigilo fica protegido pela mesma arquitetura. Numa IA genérica (ChatGPT, Claude), você mesmo cola ou digita os dados no lugar indicado.
⚠️ Antes de colar isto num ChatGPT: não é só sigilo, é o RGPD.

Este prompt é potente — mas, preenchido com dados reais (nome, NIF, morada, factos do cliente) e colado numa IA de nuvem pública, está a permitir que um terceiro trate dados pessoais por sua conta, com transferência provável para fora do Espaço Económico Europeu. Em Portugal isso toca:

  • o RGPD (Regulamento (UE) 2016/679): tratamento sem fundamento e sem o contrato do artigo 28.º, com coimas que o artigo 83.º fixa até 20 milhões de euros ou 4% do volume de negócios anual mundial;
  • a Lei n.º 58/2019, de 8 de agosto, que executa o RGPD em Portugal e tem regime contraordenacional próprio nos artigos 37.º e 38.º, aplicado pela CNPD;
  • o sigilo profissional do advogado, do solicitador e do notário, que não distingue entre o processo em papel e o ficheiro carregado num site;
  • o uso do conteúdo para treinar o modelo, consoante os termos da ferramenta.

Para dar escala: a CNPD aplicou 1,25 milhões de euros ao Município de Lisboa em 2021 e 400 mil euros ao Centro Hospitalar Barreiro Montijo em 2018. No Locus.IA, os ficheiros são lidos e tratados no seu computador — o mesmo prompt, com a mesma potência, sem entregar o processo do seu cliente a um responsável que não escolheu. Ver como funciona em Portugal →

Prompt Mestre — Declarar o Uso de Inteligência Artificial numa Decisão Judicial
ATENÇÃO — LIMITE DESTE PROMPT: o juízo é indelegável. Esta ferramenta confere referências e organiza uma declaração de utilização. NÃO decide, NÃO valora prova, NÃO redige fundamentação e NÃO substitui o magistrado. Nunca acrescentes facto, norma ou aresto que não esteja no material fornecido: onde faltar, escreve [FALTA: ___].

Assume o papel de assessor de magistrado judicial em Portugal. Tens duas tarefas, por esta ordem: CONFERIR as referências de uma peça e preparar a MENÇÃO DE UTILIZAÇÃO de ferramentas de inteligência artificial.

MATERIAL
- Tipo de peça (sentença, acórdão, despacho, parecer): [___]
- Processo n.º, tribunal e juízo: [___]
- Texto da peça: [___]
- Fontes que estão efetivamente nos autos ou de que dispões (indica quais): [___]

REGISTO DO QUE FOI FEITO (preenche com honestidade; é este registo que a declaração vai refletir)
- Tarefas em que foi usada ferramenta de IA (por exemplo: sumariar peças processuais, organizar factos, conferir coerência interna, pesquisa, tradução, revisão de redação): [___]
- Tarefas feitas sem qualquer auxílio: [___]
- Ferramenta ou ferramentas utilizadas: [___]
- Quem reviu o resultado e como: [___]

PRODUZ, POR ESTA ORDEM:

A) INVENTÁRIO DE REFERÊNCIAS — tabela: referência tal como aparece no texto | tipo (jurisprudência / legislação / doutrina) | passagem da peça que a invoca | consta das fontes de que dispomos? SIM / NÃO / NÃO VERIFICÁVEL AQUI.

B) SINALIZAÇÃO — destaca, em bloco separado, todas as referências marcadas como NÃO ou NÃO VERIFICÁVEL AQUI, com a advertência de que nenhuma pode manter-se na peça sem confirmação direta na fonte oficial. Não tentes "corrigir" uma referência substituindo-a por outra: assinala e devolve.

C) COERÊNCIA DE USO — para cada referência que se mantém, verifica se o que a peça afirma corresponde ao que a fonte fornecida diz. Assinala citações usadas fora de contexto.

D) MENÇÃO DE UTILIZAÇÃO — redige, em três variantes de extensão (uma linha, um parágrafo, e um parágrafo com discriminação por tarefa), a menção do uso de ferramentas de inteligência artificial, estritamente na medida do que consta do REGISTO acima. A menção deve deixar claro: que o uso foi auxiliar; em que tarefas concretas; que o conteúdo foi revisto por quem subscreve; e que a decisão é do magistrado. NÃO afirmes conformidade com norma ou recomendação que não te tenha sido dada: escreve [CONFERIR: termos das recomendações aplicáveis].

E) O QUE NÃO DECLARAR — assinala qualquer formulação que possa sugerir que a apreciação foi delegada, e proponha a alternativa.

F) LISTA DE VERIFICAÇÃO ANTES DE ASSINAR — referências por confirmar, e a formulação escolhida para a menção.

REGRAS
- Nunca confirmes a existência de um aresto por ele "parecer" verosímil. Sem fonte, é NÃO VERIFICÁVEL.
- Não inventes número de processo, data de acórdão, relator nem descritor.
- Não redijas fundamentação nem sugiras solução para o caso.

REGRAS DE SAÍDA (obrigatórias):
1. Escreve em português europeu, registo judicial, na grafia do Diário da República.
2. Onde faltar informação, escreve [FALTA: ___].
3. Ao invocares norma ou recomendação, assinala [CONFERIR] se não tiveres o texto.
4. Termina com a lista do que tem de ser confirmado antes de a peça ser assinada.

De Prompt a Produto: transforme a IA num Locus (ou use o Locus)

A viragem que destrava tudo: estes prompts transformam um ChatGPT ou um Claude comum num rascunho de assistente jurídico. O Locus.IA é esse assistente já pronto — e a diferença está em quem trata os dados. No prompt, entrega-os a um terceiro. No Locus, ficam consigo.

Repare no que um prompt exige de si: para o correr numa IA genérica, tem de entregar os dados reais do processo, colando documentos ou digitando nomes, moradas e factos. Isso obriga-o a um ritual a cada utilização — substituir o que identifica, conferir cada citação depois — e, ainda assim, os dados do seu cliente passam por um responsável que não escolheu, quase sempre fora do Espaço Económico Europeu.

O Locus.IA existe para apagar esse ritual. A Oficina PDF — juntar, dividir, comprimir, proteger e numerar — corre inteiramente no seu computador, mesmo sem ligação à internet: o ficheiro entra pelo disco e sai pelo disco, o que é prático para preparar peças para a Área de Serviços Digitais dos Tribunais, com os documentos numerados e descritos como a Portaria n.º 350-A/2025/1 passou a exigir. Nas funções de inteligência artificial, o programa indexa os documentos na sua máquina e envia ao modelo apenas o texto necessário, por canal cifrado, devolvendo a resposta com o ficheiro e a página de onde tirou cada informação.

E há duas funções que não dependem da jurisdição. A Escrita redige a peça a partir da base que indexou e devolve-a já em Word formatado, com o logótipo e o layout do escritório; se tiver um modelo seu na base, é esse modelo que ela replica — não um formulário de outro país. O Conferir lê a peça ou a minuta contra os documentos que a devem sustentar e cruza campo a campo, devolvendo cada campo como confere, diverge, a confirmar ou não localizado, sempre com o ficheiro de onde saiu o dado. Nenhuma das duas conhece um tribunal em especial, e é isso que as torna úteis em Portugal: trabalham com os seus documentos e com o seu modelo, seja o processo do Juízo Central Cível de Lisboa ou de qualquer outro. Ambas usam inteligência artificial e consomem uma análise de cada vez, e o Conferir é uma segunda conferência — a última continua a ser a sua.

Duas notas honestas, para não haver surpresa. A assinatura qualificada portuguesa vive no Cartão de Cidadão e na Chave Móvel Digital, e o Locus.IA não as lê: para assinar com equivalência à assinatura autógrafa, nos termos do Decreto-Lei n.º 12/2021, de 9 de fevereiro, continue a usar as ferramentas do Autenticação.gov. A pseudonimização automática reconhece agora os identificadores portugueses: NIF, NIPC, NISS, Cartão de Cidadão, passaporte e IBAN são substituídos por marcadores antes do envio ao modelo e reconstituídos no seu computador. Os que são dígitos soltos, como o NIF, exigem o rótulo ao lado ("NIF 123456789") — é o que impede o programa de mascarar valores e números de artigo por engano. O que o Locus.IA resolve em Portugal é outra coisa: os documentos serem lidos, organizados e conferidos sem saírem do seu computador.

A tarefaNum ChatGPT / Claude comumNo Locus.IA
Entrar com os dadosColar ou digitar a cada utilizaçãoAponta a pasta do processo; é lida no seu computador
Confiança na fonteVocê confere se a IA inventouCita o ficheiro e a página de cada trecho
Preparar para o tribunalSite gratuito, com o processo a subir para fora da UEJunta, comprime e numera na sua máquina, sem internet
Escrever a peçaRecomeçar do zero e colar o resultado no WordEscrita devolve em Word formatado, a partir do modelo do escritório
Conferir minuta contra documentosÀ vista, campo a campo, à noiteConferir devolve a tabela, campo a campo, com o ficheiro de origem
Ler um digitalizadoCopiar à mão o que a fotografia mostraTranscrever lê a imagem e devolve o texto

Quer o enquadramento? Leia o guia da assinatura eletrónica qualificada e da tramitação eletrónica em Portugal, e veja a página do Locus.IA para Portugal, com os valores em euros.

Perguntas Frequentes

Porque é que isto se tornou um tema em Portugal?+
Porque deixou de ser hipótese. Em fevereiro de 2026 o Tribunal da Relação de Guimarães detetou seis acórdãos inexistentes citados num recurso, manteve a condenação, aplicou custas e participou o caso à Ordem dos Advogados. Em abril de 2026 o Conselho Superior da Magistratura aprovou, em plenário, recomendações sobre o uso de inteligência artificial na atividade judicial.
Existe obrigação de declarar?+
As recomendações aprovadas pelo Conselho Superior da Magistratura apontam nesse sentido, com carácter auxiliar da ferramenta, controlo humano e dever de declarar o uso. Confirme os termos exatos no texto aprovado antes de adotar uma formulação, porque o prompt está instruído para não os afirmar de memória.
O que faz este prompt em concreto?+
Duas coisas. Inventaria todas as referências citadas na peça e sinaliza as que não consegue confirmar; e redige a menção de utilização em três extensões, estritamente na medida do que foi efetivamente feito.
Ele confirma se um acórdão existe?+
Não pode, e é instruído a dizê-lo. Marca cada referência como confirmada, não confirmada ou não verificável com o material disponível — e proíbe-se de substituir uma referência duvidosa por outra que lhe pareça plausível. A confirmação faz-se na base oficial.
Isto vale só para juízes?+
A verificação de referências vale para qualquer peça assinada por um profissional do direito. A menção de utilização é que segue o enquadramento próprio de cada profissão.
Onde é que o Locus.IA se distingue aqui?+
No que responde a partir dos autos e não da memória do modelo: as respostas vêm com a indicação do ficheiro e da página de onde saíram, e o programa foi feito para não deduzir o que não está no material. É o oposto da IA generalista que preenche o vazio com uma referência verosímil.

O Locus.IA é este prompt — só que nativo, no seu computador e com o seu processo

Acabou de ver o que um bom prompt faz. O Locus.IA faz isto o dia inteiro, sem ritual: aponta a pasta, pede a peça e recebe o rascunho citando ficheiro e página. Escreve a peça em Word formatado a partir do modelo do escritório, confere-a campo a campo contra os documentos, e junta, comprime, protege e numera os PDF na sua máquina, prontos para a Área de Serviços Digitais dos Tribunais, sem que nada seja carregado para um responsável que não escolheu. Desde cerca de 25 euros por mês, com garantia de 14 dias.

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Prompts para Portugal · biblioteca aberta

Prompts escritos para o direito português

Contestação e apelação no CPC, procedimento disciplinar no Código do Trabalho, arrendamento no NRAU, due diligence imobiliária, conferência de minuta, pacto social e o contrato do artigo 28.º do RGPD. E, para magistrados, os prompts de relatório, saneamento e revisão de sentença. Sempre com a mesma regra: a IA monta a forma, o jurista põe a substância.

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